Ms Book Worm #6 | Austenlândia, Shannon Hale

Livro: Austenlândia
Autora: Shannon Hale
Editora: Record
Edição: 1º | 2014
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Páginas: 240
Sinopse: Jane Hayes tem 33 anos e mora na Nova York atual. Bonita, inteligente e com um bom emprego, ela guarda um um segredo constrangedor: é verdadeiramente obcecada pelo Sr. Darcy. Embora sonhe com ele, os homens reais com os quais se depara são muito diferentes dos que habitam sua fantasia. Justamente por isso, ela decide deixar de lado sua vida amorosa e aceitar seu destino: noites solitárias aconchegada no sofá assistindo a Colin Firth em seu DVD. Porém, esses não são os planos que sua rica e velha tia-avó Carolyn, tem para a moça. A única a descobrir o segredo de Jane deixa, em seu testamento, férias pagas para a sobrinha-neta na Austenlândia. A ideia é que Jane tenha uma legítima experiência como uma dama no início do século XX e consiga se livrar de uma vez por todas de sua obsessão. Contudo, para isso, ela terá que abrir mão do celular, da internet e até do uso de sutiãs em troca de tardes de leitura, espartilhos e... a companhia de belos cavalheiros. 



É uma verdade universalmente conhecida que Jane Austen destruiu qualquer chance de eu ter um relacionamento saudável e verdadeiro no Século XXI, a culpo inteiramente e os seus personagens masculinos que encaixam-se perfeitamente com os meus ideais e os de Jane Hayes, protagonista do romance 'Austenlândia'. 

Acho que toda fã de Jane Austen já passou por isso em algum momento em sua vida como leitora Austeana: Não existe homem à altura do taciturno e apaixonado Mr. Darcy ou do vivo e apaixonante George Knightley. E essa lista não tem fim. Como entrar em um relacionamento quando você acredita que merece algo muito acima da expectativa comum? Essa é a problemática de Jane Hayes, 33 anos. Num mundo moderno que um relacionamento dura no tempo exato de um espirro, Jane ainda acredita em amor, graças a Jane Austen, e principalmente, a Colin Firth de camisa molhada sendo o Mr.Darcy ideal para 80% da nação Austeana - vide, eu não estou nessa porcentagem.
Jane acredita que o relacionamento ideal virá na forma de um homem na medida do Sr. Darcy, contudo os seus últimos treze relacionamentos ela só tem passado por uma decepção atrás da outra e cada vez mais tem a certeza que o seu verdadeiro amor é ficcional e a cada nova frustração, Jane se afunda mais e mais em um mundo imaginário nada saudável. Jane simplesmente desistiu dos homens. Com influência de sua tia Carolyn, que tem a sua própria história de amor digna das páginas Austeanas, Jane recebe uma intimação: ou ela deixa o mundo da fantasia e permiti-se viver no mundo real ou ela terá que fazer na marra. Sim, ela acaba fazendo na marra. Jane ganha uma viagem para Austenlândia, uma terra montada em uma cidade da Inglaterra aos moldes dos cenários criados por Jane Austen. Lá, atores interpretam personagens similares ao Universo da autora britânica e os clientes entram na história, criando os seus personagens, fazendo parte daquele universo e podendo até, viver um romance.    


É o fundo do poço para Jane, entretanto para ela, ou ela acaba com essa fantasia na terra de Jane Austen ou ela não terá mais jeito. Jane acaba chegando em Austenlândia e é claro, nada é tão fácil como deveria. De acordo com a dona, ela não é a cliente ideal, pois a dona sabe de toda a situação financeira de Jane e o motivo para estar ali. É claro que a antipatia com ela é de cara, mas Jane não se incomoda. Ela quer apenas viver aquela experiência, realizar o desejo de sua tia e que ela acabe aquilo o quanto antes, sem deixar marcas em seu coração. Seguindo um manual moldado a época, Jane tenta encaixar-se naquele mundo de faz de conta com direito a chapéu e crinolina e acaba descobrindo que nunca sentiu tanta falta do seu mundinho real antes. Ela não consegue se adequar àquele universo de faz de conta. Uma coisa é ela viver no seu mundinho, outra coisa são atores interpretando alguém para iludir senhoras ricas cansadas de suas vidas matrimoniais. Jane se sente mais patética do que poderia imaginar, mas isso muda quando ela reencontra e conhece melhor Martin, o jardineiro. De imediato Jane sente algo por Martin, ela acaba relaxando com o jardineiro ao descobrir que ele foge do padrão atores ensaiados para agradar as clientes e tem algumas coisas em comum com ela. De uma comoda amizade os dois engrenam em um breve envolvimento que é tão breve, que mal começou, termina e é aí que Jane descobre que Martin a ajudou a ver que ela não desistiu dos homens, o seu mal foi igualar cada um dos seus parceiros a Darcy, o que obviamente a levaria a uma decepção. Com a eminente distância de Martin, Jane decidi que ela precisa viver toda a experiência Austenlândia como uma verdadeira personagem e é aí que o seu romance Austeano inicia acompanhada do Sr. Nobley. 


Se você gostou até aqui, garanto que esse livro é para você.

Austenlândia é um livro rápido e gostoso de ler. Shannon Hale tem uma escrita simples, sem floreios ou grandes detalhes. Quem me conhece sabe que sou uma apaixonada por descrição, mas confesso que não senti falta de uma profundidade maior em alguns detalhes. Shannon mostra que tem uma ótima voz descritiva ao mostrar através dos olhos de Jane quem é Nobley em seu caráter e físicamente. Para mim, esse é um dos trechos mais bonitos do livro.  Considerei esse livro completinho. Redondo e direto. Sem necessidade de ter uma continuação. Os personagens são bem construídos, principalmente Jane, nossa voz nessa história. Entendi muito bem quem ela é, e em vários trechos, me relacionei com suas motivações. Honestamente, Jane é uma voz poderosa para a nossa sociedade que vira e mexe parece ter perdido o significado sobre o que é amor, enquanto Jane tem uma certeza cega do que ela quer para o amor e busca isso. Ao fim, ela descobre que sua busca era correta, apenas estava buscando do modo errôneo. As motivações dos personagens secundários são bem expostas, como no caso de Nobley e Martin. Cabe ao leitor decidir se o caráter daquele personagem condiz com o que ele faz e se Jane deve ou não dar uma chance a ele.
Esse livro vale cada segundinho dos corações apaixonados e os fãs sedentos de Jane Austen - e sim, Charlotte Bronte.
Oh, sim! Sou apaixonada pela capa. Ela é simplesmente superb!



Para quem não sabe, Austenlândia se transformou em filme com Keri Russell como Jane Hayes e J.J Feild como Sr. Nobley. Eu sou APAIXONADA pelo filme, contudo, pequenas coisinhas foram deixadas de fora da adaptação e outras modificadas sem ter a necessidade. Confesso que não me incomodei no geral com essas mudanças, mas no filme, os roteiristas optaram por exagerem no vicio de Jane por Orgulho & Preconceito, chegando a um ponto que deixa o telespectador um pouquinho preocupado com a sanidade mental da personagem. O final também foi modificado. Foi uma pequena mudança, que novamente, aos meus olhos, não senti a necessidade de ter ocorrido, modificando até mesmo, aquilo que é concluído no romance. Não ficou ruim, só não era necessário. Não ia atrapalhar a dinâmica da história e do filme. Mudanças à parte e esperadas em qualquer adaptação que se preste, recomendo o filme aos amantes de uma boa comédia romântica, e aos leitores, como disse, as mudanças não são drásticas, muito menos ofensivas aos apaixonados pelo livro e vale a pena ir para o mundo de Jane Austen através dos olhos de Jane Hayes.
  

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