Writing Challenge | #PHpoemaday | 07 • Objeto Inanimado


Objeto Inanimado 

Ela era o que esperavam dela.
Um objeto inanimado construído baseado em um modelo socialmente aprovado. 
Nem adianta torcer o nariz e negar. Eu sei que é ridículo, mas é mais ainda por vivemos numa sociedade em que é esperado que você seja como A e não como B, e se você for como C, saiba que terás uma longa jornada.
Delicada, comportada, inteligente, engraçada, quando requisitado, doce, sempre sorridente, sensível, fala suavemente, respeitosa, uma dama de espirito e bonita. Não do tipo que para sinais, mas do tipo artisticamente apreciável.
Esse é o básico, é claro que existe mais.
Eu não acredito que ser esse tipo de modelo pre construído seja ruim, mas é algo esperado, e eu nunca apreciei aquilo que é garantido. Como o 'não', sabe? Em qualquer ocasião em nossa vida, o 'não' é garantido, o 'sim' é um talvez provável esperançoso e delicioso.

Mulheres querem ser como ela, homens querem casar com ela.
O modelo da personificação ideal do que deve ser. A Afrodite dos tempos antigos, nos tempos modernos. Como sempre, opto pelo caminho oposto. Considerado, as vezes, como inesperado.

Não quero acreditar nisso.
Gosto de pensar, que se tivesse que seguir um modelo, gostaria de poder optar por aquele similar as bonecas russas. Já as viram? Então, você entendeu a idéia. Uma dentro da outra, cada uma expõe um cerne particular e não um todo. Uma ideia de mostrar a quem for, quem sou, de uma vez só, soa tão fatalista. É como se após tal descoberta, não houvesse mais estrada a ser percorrida. Inanimada a me tornar.
Gosto de movimento. Gosto de ser movimento.
Gosto do fascinio nos olhos dos desconhecidos ao saberem que sou poliglota, sei cozinhar comida marroquina, cortar cabelos, já li Proust, mas não gosto dele, entretanto curto Freud, mesmo que isso não tenha nada haver com o assunto. Meu filme favorito é um clássico dos Anos 30, mas ainda choro como uma garotinha vendo comédias dos anos 90. Já disse que sou viciada em música clássica, mas que não resisto a uma batida indie? Está vendo? Com um modelo montado, o esperado não impressiona, mas é apenas aceitado, pois não nos leva a argumentar. Agora o inesperado, é novo, levanta questionamentos, nos faz ver a pessoa e o mundo ao nosso redor com novos olhos.
Me permitir, lentamente, mostrar ao mundo não é apenas uma descoberta aos olhos alheios, mas até mesmo aos meus e um transição, de um objeto inanimado, a um ser humano, em constante movimento. 
  

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