Writing Challenge | #PHpoemaday | 03 • Espelho


Espelho
Bárbara Herdy

Nunca gostei de espelhos.
E aqui não falo apenas do objeto que reflete, mas das pessoas também.
Quando alguém diz que você é o espelho de alguém?
Tem algo de perturbador nisso.
Talvez seja porque ele copia aquilo que vemos e depois desaparece.
Talvez porque ele tenha algo de perturbadoramente sombrio, pois é a única vez, que nos vemos verdadeiramente, sem ser através dos olhos de alguém ou de uma imagem criada. Fotos, desenhos, pinturas e vídeos podem marcar nossa fisionomia, mas não tão profundamente como um espelho que parece que leva um pouco de nossos aspectos quando nos reflete. Existe uma lenda que conta que parte de nossa alma fica aprisionada nos espelhos, como em fotos. Não sei o tão verdadeiro isso pode ser, mas confesso, que certo temor perpassa minha espinha com tal ideia fantasmagórica.
Há algo de narcisista em se admirar num espelho ou talvez, sombrio? E se o espelho, além de mostrar, quem somos em imagem, nos dá uma ilusão? Ilusão do que somos, do que não somos, do que queremos ser.
Olhar para o espelho pode ter algo de sombrio, de tentar ver algo além que possamos admirar com olhos sãos aquilo que não pertence ao nosso mundo, do mesmo que há algo de horrendo de imaginar que existe alguém por aí que é uma cópia nossa, ou ouso dizer, que nós somos a cópia dessa pessoa.
Acho que a segunda via é muito mais assustadora. Ser a cópia de alguém.
Sem nem desconfiar ou saber e nada poder fazer para mudar, de certo modo, você acredita que aquela é a sua essência. Como mudar quem você é, aos olhos dos outros, apenas para se tornar um outro alguém que seja espelho do que você queira ser?

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