Escritores com Benefícios #1 | Tive uma brilhante ideia e agora?



Hey, mates :)
Há muito tempo venho recebendo perguntas de vários colegas escritores e amigos aventureiros sobre como começar a escrever uma história, tento ajudar a partir de lições, métodos e modos que utilizo e aprendi com o tempo de estrada como escritora. É uma sensação tão boa sentir que estou podendo ser útil para o próximo, seja ajudando a abrir sua visão sobre ser escritor ou seja em outra área de caridade. Sempre sinto essa necessidade de ser útil, odeio me sentir estagnada, guardando para mim conhecimentos e energia, quando há tanto a ser feito, por isso, tomei uma decisão: Resolvi criar esse projeto chamado 'Escritores com Benefícios' através dele irei publicar uma série de posts dando dicas sobre como iniciar o seu projeto literário, sem restrições de gênero, como trabalhar com ideias, desenvolver personagens, capítulos, pesquisas, o que você deve considerar importante - ou não. A minha intenção com esses posts não é passar uma regra, ninguém pode fazer isso, e sim, quero abrir os olhos de novos - e antigos - escritores com ensinamentos simples para momentos de dúvida, receio e caos. Nós, escritores, passamos sempre por isso e é sempre bom ter palavras amigas.
Eu estou ansiosa para começar, espero sinceramente que minha pequena ajuda seja de grande utilidade a você, aí do outro lado da telinha. Vamos começar?

O Tema dessa Semana é: Ideias.

Ser escritor é estar sempre em movimento.
É fazer parte do mundo exterior, mas viver em seu mundo interior.
É ter conhecimento, mas estar sempre em aprendizagem, pois um escritor não pode nunca estagnar, ele precisa viver de ações. Estar em movimento é o que nos faz humanos, e o que o torna escritor é acompanhar esse movimento, o transfigurar ao mundo da imaginação e o devolver ao público.
Idéias não são planejadas, elas surgem quando menos esperamos.
Caminhando na rua, tomando um banho, na praia, lavando louça, sonhando, tendo um pesadelo, lendo um livro, vendo um filme, conversando com os amigos ou simplesmente vendo uma cena peculiar em seu dia a dia. Eu sempre tive idéias desse modo, inesperadamente, se tivesse sorte, teria um pedaço de papel e uma caneta para anotar tudo que surgiu, mas nem sempre é assim. Minhas idéias são sempre intensas, surgem diante de meus olhos como se estivessem a ocorrer.
Basicamente, o problema não é o surgir da idéia. Idéias, todos nós temos aos baldes, na realidade, agora, lendo esse post você pode estar tendo uma idéia, o problema é o que vem depois da ideia.
As temíveis perguntas. Será que essa idéia é valida? Será que consigo escrevê-la? Porque fazer isso? Para quem vou fazer isso? Como fazer isso?
Vamos acabar com um mito aqui e agora? Todas as idéias são válidas. Desde um livro até um pedaço de crônica. Tudo vale a pena ser escrito, mesmo que você nunca tenha escrito nada em sua vida ou tenha escrito vários best sellers. Um escritor de verdade se inspira até para escrever lista de supermercado. Eu tenho diversos projetos de livros, mas isso não quer dizer que eu não tenha os meus projetos pessoais, aqueles que só eu – e mais duas pessoas – tem conhecimento. Escrevo cartas constantemente, faço fanfictions, porque quero () e até mesmo, mantenho um diário com frases e textos.
Eu vivo para isso para a escrita. Acho um absurdo quando alguém diz que você não deve escrever tal fanfiction porque é idiota, ninguém vai ler e sua ideia é boba ou não deve fazer um livro que se passa em 1800 com vampiros e trolls voadores porque ninguém vai querer ler isso, nenhuma editora vai comprar e será esquecido no tempo. Se você escuta esse tipo de gente, você deve repensar se é um escritor ou um aventureiro. Se você não os escuta e escreve mesmo assim, parabéns, você é determinado e tem um coração de escritor, quem sabe, até tenha nascido para isso.

Como disse, ter idéias todos temos.
O tempo todo.
Agora desenvolvê-las, fazer imensas pesquisas, passar pelas criticas – suas e de terceiros -, temores e obstáculos, meu caro amigo, só depende de você. Muitos pseudos escritores desistem de suas histórias por insegurança, medo de não ser bom como escritor, de sua história não ser boa para uma editora, entre outras infinidades de motivos.
Eu sempre escrevi primeiro para mim, depois para o mundo. Leio muitos autores que dizem que escrevem seus livros para o público, para mim, isso não funciona. Se uma história não é boa para o seu escritor, dificilmente será para o seu leitor. Por isso, eu acredito que para ser um escritor, em 1º lugar, você deve acreditar no que você faz. Desde a sua lista de compras até o seu primeiro romance. É difícil, ser inseguro é lei da natureza humana e será uma longa estrada, mas se você acredita, você conseguirá. Então, apenas pare. Pare com os receios, inseguranças e questionamentos.
Apenas pegue a sua idéia e a faça acontecer.
Vou lhes contar a experiência mais recente que tive com uma idéia que surgiu em minha mente, no meu mais novo livro, o casal protagonista surgiu diante dos meus olhos, discutindo ferozmente sobre a relação deles, aos poucos, durante a discussão, fui descobrindo quem eles eram, sua história, seus trabalhos, o plano de fundo central do primeiro livro, quando vi, estava com o Word aberto escrevendo a primeira cena. Viu? Uma coisa puxou a outra. Em ‘Apenas Respire’, a história surgiu de um sonho, alguns personagens estavam lá, outros surgiram durante o processo de escrita e moldei o enredo de acordo com as idéias que fui tendo durante o processo de pesquisa e criação. Uma história teen, que pretendo escrever um dia, tive a idéia durante a travessia da Ponte Rio Niterói ao escutar uma canção.

Idéias surgem, nós a moldamos, construímos, desenvolvemos e criamos.
É complicado, exige muito esforço, boa vontade, coragem, dom, talento, responsabilidade e amor, mas vale a pena, vale muito a pena criar os nossos próprios Universos.
Não existe um modelo de como desenvolver uma idéia, isso posso adiantar, entretanto, posso lhes conferir algumas dicas de como ir desenvolvendo as até construir uma base para iniciar sua história, e com tempo, você mesmo ir constituindo seu modelo de métodos para trabalhar suas ideias.


Dicas
  • Anote sua idéia – num caderno, guardanapo, página de Word, no celular, na mão, na mão do seu BFF, no livro da Faculdade, na mesa, na parede, na geladeira, etc. -, do modo que você imaginou, sem tirar ou colocar, apenas anote o bruto, mas anote logo para não perder nenhum detalhe. A mente humana pode ser muito traiçoeira.
  • Com tudo anotado, releia, sinta a história, busque em sua mente o que você viu de primeira, e o que mais você vê. É claro que novos pontos e detalhes irão surgir da penumbra. Agora, encaixe isso a história, molde suas novas idéias em cima da ideia antiga. Trabalhe isso.
  • Palavras chaves. Quais são os temas abordados na sua história? África, Sexo, Amor, Amizade entre primos, Professores, Livros. Anote todas as palavras chaves que você considerar importantes, bem grande, em uma folha separada. Coloque isso como prioridade.
  • Com elas anotadas, pesquise sobre os assuntos separadamente, anote o que você achar importante, salve em um arquivo Word para leituras posteriores, compre livros, faça curso, converse com pessoas que conhecem sobre o assunto. Dá o seu jeito. Conhecendo ou não sobre o tema informação nunca é demais.
  • Poxa, mas eu vi a história na África, mas nunca estive lá, o que fazer? Pelo que eu saiba, a J.K Rowling nunca esteve em Hogwarts, pois ele não existe, ela o criou, e ao criá-lo, ela - definitivamente - se baseou em algo. E para chegar, no resultado final que conhecemos em sua série de grande sucesso, ela precisou fazer uma coisa. Sabe o que ela fez? Pesquisou. Todos os autores desse século e dos passados PESQUISARAM dias, meses, anos para conseguir alcançar a almejada perfeição de seu Universo criado. Tolkien demorou 12 anos(!!!) para escrever O Senhor dos Anéis, sabe por que? Porque ele estava a pesquisar, criar histórias para as suas espécies, desenvolver os enredos, personagens, idiomas, mapas, etc. Esse papo de que escritor só pode escrever sobre aquilo que 'conhece' é idiotice. Eu sou uma autora de método: pesquiso, analiso, converso com conhecedores sobre o assunto e faço o que for possível para alcançar a perfeição, mas não me transformaria num serial killer dos Anos 20 para entender a sua mente para passar isso ao livro. Entende? Óbvio que falar sobre algo ou um lugar que você visitou e conhece é muito mais confortável, mas sejamos sinceros, os impulsos de criatividade são os mesmos, você se baseia em algo que vê para relatar com as suas palavras. Eu nunca fui a um cruzeiro ou a Inglaterra, mas isso não me impediu de fazer o meu primeiro romance se passar em um Cruzeiro e na Inglaterra. Recebi dezenas de mensagens de leitores querendo saber como foi estar na Inglaterra, se recomendava fazer um cruzeiro, e minha resposta sempre os surpreendia, pois a minha descrição foi tão real que os fizeram crer que eu vi aquele mundo. Isso é conseguir alcançar a mente do leitor e o levar aonde você quiser. Consegui fazer o meu trabalho - e você pode também.
  • Ah, sabe esse papo que todo autor brasileiro tem que escrever suas histórias se passando no Brasil? Outra idiotice. Você é um escritor, tem o direito de escrever sobre o que quiser, quem quiser, onde quiser. Então se você quiser escrever sobre um idoso dinamarquês, casado com uma chinesa e que de repente, se descobrem et’s e precisam voltar a sua cidade natal no planeta Racharcorpulus, você deve escrever. O que os leitores e editoras nacionais precisam entender é que criatividade (idéias) não se controlam de acordo com as necessidades de terceiros. Querem uma história de acordo com seus padrões? Contratem um Ghost Writter.
  • Durante a pesquisa, acredito que você já terá os personagens em mente. Dois, três, talvez. Garanto que durante a escrita irão surgir vários, mas não pense no futuro, pense nesses personagens que você já imaginou, desenvolveu e estar a se relacionar. Quem é o protagonista? Por que? Quem ele é? Faça uma ficha sobre ele. Crie-o. Modele-o. Faça o mesmo com os outros personagens, não precisa ter muitos detalhes, mas especifique suas importâncias a história, pois isso é importante a proposta da ideia.
  • Quais são os enredos? Sim, aqueles que você está pesquisando – ou deveria estar. Um bom livro tem pelo menos 03 enredos: primário, secundário e terciário.
    O primário é aquele, como o nome diz, que está em 1º plano, tudo está em torno daquilo, normalmente, é o enredo central do protagonista.
    Ex: uma jornada a seguir, alguém a salvar, algo a conquistar.
    O secundário envolve os personagens desse tipo, provavelmente um enredo que envolve o protagonista, como um auxiliar, algo que o distância do foco principal.
    Ex: O seu melhor amigo se encontra doente e precisa da ajuda do protagonista para solucionar algumas pendências.
    E o terciário? Dependendo do livro, pode servir como uma distração, disfarce ou apresentação de um plot futuro para um próximo livro, deve ser usado com muito, muito cuidado.
    Ex: Um dos personagens tem um segredo, que é mostrado em camadas durante todo o livro, levando o protagonista a pensar que aquelas camadas significam uma coisa e os leitores, pensam que essas camadas (dicas) são outra coisa, mas no final, é revelado ser algo completamente diferente, isso quando é revelado.
  • Como passar do pensamento ao Word? Como começar? Sorry, mates,não existe um modelo. Depende da inspiração do autor. Depende do que você criou a partir dessa ideia. Depende do que você viu, quer ver primeiro. É tudo um grande DEPENDE. Posso dizer aqui que você deve iniciar do começo (dã²), fazendo a sinopse, prólogo, citação, agradecimentos, primeiro capítulo, etc. Como posso dizer que você deve começar do Capítulo 18. Por que não do final? Quem sabe pelo 1º capítulo, depois o 4º e quem sabe, depois o 7º? Entendeu, não é? Você deve começar por onde se sentir mais confortável. Em ‘Apenas Respire’ comecei do Capítulo 01, em ‘Seekers’ comecei por uma cena aleatória que nem pretendo colocar no 1º livro. Você precisa, é claro, ter um ponto de partida e que seja confortável para você. Não adianta você querer começar do capítulo 01, se você não consegue vê-lo ainda, compreende? Comece do seu ponto de vista. Do que VOCÊ quer ver. Não importando que seja o começo, meio ou o fim - ou a continuação do livro. Para você, é uma história sendo contada, é uma história em movimento, quando for colocar no livro, aí pense em começo/meio/ fim, mas para iniciar uma idéia, apenas comece.



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